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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Marcelo: A lição política de Moro para Bolsonaro

Marcelo de Moraes

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No processo de saída de Sérgio Moro do Ministério da Justiça, Jair Bolsonaro descobriu ontem como funciona um velho princípio da política. Governantes mais experientes costumam lembrar aos mais novos que você nunca deve colocar na sua equipe de governo alguém que não tenha condições para dispensar depois, se for preciso.

Quando aceitou o convite para participar da equipe de governo de Jair Bolsonaro, Moro era uma das figuras mais populares do País por causa de sua atuação à frente da Lava Jato. Não tinha sido eleito como Bolsonaro, mas tinha tanta ou mais popularidade do que ele. Bolsonaro sabia que a entrada de Moro na sua equipe ministerial lhe garantiria imediatamente um prestígio ainda maior com a opinião pública. Mas, com o passar do tempo, os atritos foram inevitáveis, até mesmo por causa do tamanho dos dois personagens envolvidos.

Um ano e quatro meses depois, Moro pede demissão e sai atirando pesado na direção de Bolsonaro. O impacto de sua saída é tão grande que poderá até ser capaz de abrir o caminho para um pedido de abertura de processo de impeachment contra o presidente. É possível que Bolsonaro tenha subestimado a força que Moro possui. Mas o agora ex-ministro da Justiça nunca teve dúvidas sobre quanto barulho sua demissão poderia causar, ainda mais acoplada à denúncias contra o presidente. Bolsonaro está aprendendo, agora, essa lição. O problema é que pode ter sido tarde demais.

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