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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Marcelo: A queda do PIB atingiu o limite?

Marcelo de Moraes

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O relatório de mercado Focus desta segunda-feira, 22, trouxe um dado importante. Depois de seguidas quedas, causadas pelo devastador efeito da pandemia do coronavírus, a previsão do PIB para este ano se manteve praticamente igual a da semana passada. A estimativa de recuo do crescimento da economia brasileira ficou em 6,50% e na semana passada era de 6,51%. Continua sendo um desastre. Mas, seria esse, estão, o tamanho do buraco em que a economia brasileira se meteu?

Bolsa de Valores em atividade Foto: Amanda Perobelli/Reuters

É cedo demais para se cravar que o tombo do PIB em 2020 será esse. Até porque ele é ainda inferior ao que outras instituições de mercado previram – algo em torno de 7%. E também o que vai acontecer com a recuperação da economia vai depender de medidas do governo e do Congresso para auxiliar essa retomada.

Também é impossível esquecer que a pandemia segue numa média altíssima de ocorrências e mortes no País. Já passamos de 50 mil óbitos e de 1 milhão de casos. E com os processos de reabertura das atividades sendo feitos de forma caótica por governadores e prefeitos não há como descartar que esses números sigam elevados por um bom tempo.

A crise política do governo Bolsonaro, agravada seriamente depois da prisão de Fabrício Queiroz, também é um fator que pode pesar fortemente contra a retomada da economia. A instabilidade política dificulta a formulação de uma agenda de propostas de peso que agilizem a recuperação da economia.

Conversei com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que me falou sobre sua preocupação com a organização dessa agenda de retomada. E ele também reconheceu que ainda não enxergava sinais claros de movimentação nesse sentido da parte do governo.

“Precisa construir um programa de recuperação da economia. A pauta pré-pandemia sozinha, não vai resolver o problema”, afirmou Maia.

O deputado defende também que o auxílio emergencial seja prorrogado por dois ou três meses e com o valor atual de R$ 600. Esse pensamento não é o mesmo do governo, que fala em números bem mais modestos – algo em torno de R$ 200.

Por isso, mesmo que a previsão de queda do PIB possa ter estabilizada (em números gigantes, sempre é bom ressaltar), ela só não crescerá mais se as medidas pós-pandemia forem adequadas.

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