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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Alvim sai, mas sua política cultural fica?

Marcelo de Moraes

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O alucinado discurso feito pelo agora ex-secretário nacional de Cultura Roberto Alvim custou sua permanência à frente do cargo. Mas existe outra pergunta importante a ser respondida: a “política cultural” que ele vinha tocando na função será mantida? Nas mãos de Alvim, a área se tornou justamente um dos maiores campos de pregação ideológica do atual governo.

Se o discurso com inspirações nazistas foi o pior dos seus atos, não se pode esquecer que Alvim já causou polêmica quando atacou a atriz Fernanda Montenegro e com toda uma política de nomeações extremamente controvertida. Um de seus escolhidos, Sérgio Camargo, foi nomeado para comandar a Fundação Palmares. A nomeação acabou suspensa pela Justiça por conta de sua declaração afirmando que a “a escravidão foi benéfica para os descendentes”.

Sempre é bom lembrar que a área cultural tem sido um dos alvos preferidos das críticas de grupos  bolsonaristas, que consideram que o setor é dominado ideologicamente pela esquerda. Alvim levou essa visão para dentro do governo de forma extrema e estava ampliando seus espaços dentro do governo. Tanto que foi um dos convidados de Jair Bolsonaro na sua transmissão ao vivo feita ontem nas redes sociais. Chegou a ser saudado entusiasticamente pelo presidente durante a live, tornando ainda mais importante a questão: Alvim sai, mas sua visão de cultura fica?