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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Ano novo, problema velho

Marcelo de Moraes

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Dois dias depois da retomada dos trabalhos do Congresso, já ficou claro que falta ainda muita articulação política para que as reformas tributária e administrativa possam sair do papel e serem votadas. E o principal problema não é uma novidade. O governo não consegue se organizar internamente para definir o que realmente quer nessas discussões. Já há quem suspeite que tem gente graúda no governo que talvez queira as reformas apenas no discurso para não desagradar o mercado.

Foto: André Dusek/Estadão

O problema não é novo e é resultado dessa falta de capacidade de articulação política, um dos pontos fracos do governo. Não custa lembrar que a reforma da Previdência foi aprovada muito mais pelo empenho dos líderes do Congresso do que por uma ação do governo. Na prática, em vários momentos, as intervenções do governo, inclusive, dificultaram as negociações.

Incomodados com esse lengalenga, um grupo expressivo de parlamentares cobra o governo para que envie logo ao Congresso suas propostas sobre as reformas, coisa que não fez até agora. Escrevi sobre isso no relatório semanal Fique de Olho, que enviamos todas as segundas para os assinantes do BRP e que indica quais serão os principais assuntos da semana. Lá, mostrei que já havia uma cobrança do Congresso justamente por um maior engajamento do governo na discussão das reformas.

A expectativa é que essa pressão provoque o governo a se mexer em alguma direção. Até porque para tratar de projetos tão complexos, como é o caso das duas reformas, é necessário costurar um amplo entendimento. Como já se disse bastante, 2020 é um ano de eleições, o que encurta o calendário de discussões. Se essa organização política não for construída rapidamente, as chances de aprovação das reformas diminuem consideravelmente.

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