Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Ao atrasar dados do coronavírus, governo atira no próprio pé

Marcelo de Moraes

Exclusivo para assinantes

Na atabalhoada estratégia para tentar minimizar o desgaste causado pelo aumento de casos e de mortes por coronavírus, o governo cometeu um erro grave e que pode ter um elevado custo político. Ao atrasar a divulgação dos dados sobre a doença para driblar o impacto dessas notícias na imprensa, o governo acaba atraindo ainda mais atenção para o problema. Se o objetivo era tentar reduzir a repercussão da disparada de casos, o tiro saiu pela culatra. Afinal, o interesse pela informação redobrou e alertou para a gravidade da situação.

Com mais de 35 mil mortes registradas, não há estratégia de catimba que impeça as pessoas de perceberem o tamanho da encrenca. Mas reforça o comportamento do presidente Jair Bolsonaro, que, desde o início da crise, adotou atitude de negacionista sobre o alcance da doença. E 35 mil mortes depois, não parece haver sinal de mudança à vista.

Também não é possível fingir normalidade quando o Ministério da Saúde não tem um titular oficial há três semanas e que o posto de ministro interino é exercido por um general e o de secretário executivo por um coronel. Os dois ministros especialistas que deixaram o cargo, Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, foram saídos ou saíram do posto justamente por baterem de frente com a visão do presidente em relação ao coronavírus. A opção por repassar o comando da Pasta para militares no meio da pandemia é uma opção do presidente. Mas decisões desse tipo costumam cobrar um preço alto na política.

Tudo o que sabemos sobre:

Do Marcelo