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por Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Ao criticar Doria, Bolsonaro quer neutralizar adversário de Centro

Marcelo de Moraes

Jair Bolsonaro mantém a eleição de 2022 no seu radar político desde que ganhou a disputa presidencial em 2018. Isso não é segredo para ninguém. A diferença é que na eleição passada, Bolsonaro enxergou, com razão, que seu adversário principal era a esquerda – representada pelo combo Lula/Haddad. Agora, com o PT e a própria esquerda ainda buscando um caminho, o presidente enxerga como maior ameaça a sua reeleição o fortalecimento político do Centro. E vê no governador de São Paulo, João Doria, um nome com potencial para ocupar esse espaço.

Doria e Bolsonaro em solenidade de formatura de sargentos da PM. Foto: Nelson Almeida/AFP

Como o tucano também é candidatíssimo à sucessão presidencial, os choques entre os dois se tornaram cada vez mais frequentes e barulhentos. Depois de abrirem a chamada “guerra da vacina”, agora, os dois políticos voltam a trocar críticas tendo o aumento de impostos como pano de fundo. Bolsonaro acusou o governador de querer ampliar impostos e Doria negou a acusação, chamando o presidente de desinformado e dizendo que deveria se preocupar em governar e “menos em atacar adversários”.

Essa última frase é emblemática. Se em 2018, o tucano chegou a se associar ao voto “Bolsodoria”, na disputa pelo governo do Estado, agora já se assume como “adversário”. É jogo jogado e, talvez, uma antecipação do que poderá estar no centro da disputa de 2022. Mas, como se sabe bem, dois anos em política equivalem a cem, tamanhas são as reviravoltas que podem acontecer nesse período. Mas a verdade é que, hoje, Bolsodoria já se transmutou em Bolso x Doria.

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