Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Apoio da oposição tem peso, mas Baleia precisa conter ‘traidinha’

Marcelo de Moraes

Contrariar decisões partidárias deveria ser exceção na vida política. Afinal, se pressupõe uma afinidade de pensamento entre os que militam na mesma legenda e uma disposição para aceitar a deliberação da maioria da sigla em questões controversas. Mas, na política brasileira, não seguir essas orientações se tornou algo comum. E não deverá ser diferente na disputa pela Presidência da Câmara e do Senado, que acontece em fevereiro.

Hoje, o PT bateu martelo e vai se juntar aos outros partidos de esquerda que apoiarão o deputado Baleia Rossi para o comando da Câmara. O movimento tem muito peso, naturalmente. Mas, do lado oposto, Arthur Lira aposta nas dissidências dos partidos aliados de Baleia. E, claro, também corre o risco de perder aliados nas legendas que decidiram lhe apoiar. Porque o efeito “traidinha” é quase uma tradição.

Como o voto será secreto, a traição ficará até mais simples, aumentando o grau de risco dessa disputa. Mas houve vezes em que nem mesmo o voto aberto impediu que as bancadas rachassem. No ano retrasado, deputados do PSB e PDT votaram a favor da reforma da Previdência abrindo crise interna nos seus partidos e sofrendo punição. Teve climão, mas nada mais grave.

Nem sempre foi assim. Há dissidências em quase todas as votações importantes, mas algumas deixaram marcas. No final de 2003, três deputados do PT (João Fontes, João Batista Babá e Luciana Genro) e uma senadora (Heloísa Helena) foram expulsos da legenda por votarem contra a reforma da Previdência proposta pelo governo Lula. Essa saída foi a gota d’água de uma desgastante briga interna no PT que deu origem ao nascimento do Psol em 2004.

Com muito menos drama, mas com grande impacto político, houve outra traição famosa em 1997. Na ocasião, o governo FHC buscou apoio para emplacar a emenda que permitiria a reeleição para cargos do Executivo. O comando do PP era contra porque seu presidente, Paulo Maluf, sonhava em chegar ao Planalto em 1998. Mas, seduzidos pelo governo, muitos parlamentares do PP desrespeitaram a orientação partidária e apoiaram a reeleição. E virou folclore quando o então deputado Wigberto Tartuce (PP-DF) avisou a Maluf que ele e outros 43 colegas de legenda tinham votado a favor da proposta. Sincero, Wigão deu o recado: “Te dei uma traidinha, mas quero ficar contigo”.

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