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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Marcelo: As quatro CPIs que assombram os políticos

Marcelo de Moraes

Não faz muito tempo, as comissões parlamentares de inquérito (CPIs) tinham poder de derrubar governos. A administração de Fernando Collor começou a desmoronar depois das revelações trazidas pela CPI do PC Farias. O Congresso também foi colocado de pernas para o ar com o escândalo dos desvios no Orçamento na CPI dos Anões. Até mesmo o Judiciário já foi alvo dessas investigações, numa comissão que revelou superfaturamentos de obras, pagamentos irregulares e tráfico de influência entre outros problemas.

Senadores comemoram a convocação de ato em apoio à Lava Toga no dia 25 de setembro

Senadores comemoram a convocação de ato em apoio à Lava Toga no dia 25 de setembro. Foto: Divulgação/Assessoria Major Olimpio

Depois de perderem espaço para as investigações conduzidas pela Polícia Federal, Ministério Público, Receita, entre outros, as CPIs estão recuperando seu papel como instrumento de investigações complexas e que enfrentam resistências políticas para irem adiante.

Hoje, há pelo menos quatro CPIs funcionando ou com pedido para serem abertas que causam desconforto para grupos políticos importantes.

1. CPI da Lava Toga – Senadores tentam, pela terceira vez, instalar a comissão para investigar irregularidades no Judiciário. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, já barrou duas vezes o pedido considerando que a investigação não tem fato definido e seria inconstitucional por interferir em outro Poder. Agora, a tentativa de barrar a comissão é liderada pelos bolsonaristas, que são acusados de fechar um acordão com o Supremo.

2. CPI da Vaza Jato – Baseada nas trocas de conversas entre integrantes da Operação Lava Jato, a comissão quer investigar supostos abusos cometidos nas decisões tomadas pela força-tarefa e pelo então juiz Sergio Moro, hoje ministro da Justiça. A esquerda lidera o pedido, mas boa parte do Centrão endossou a iniciativa. A CPI já tem as assinaturas necessárias para funcionar na Câmara, mas depende do sinal verde de Rodrigo Maia.

3. CPI do BNDES – Funciona na Câmara e já está na fase final de tomada de depoimentos e investiga o suposto uso político da instituição pelos governos petistas para desviar recursos públicos e ajudar aliados. O relatório deve pedir indiciamento de políticos importantes do PT.

4. CPMI das Fake News – Bancada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, a comissão mista (formada por deputados e senadores) investiga a prática de espalhar informações mentirosas nas redes sociais e em aplicativos com interesses escusos. Os bolsonaristas são contra a existência da CPMI e tentam obstruir seus trabalhos. A oposição comanda a comissão.