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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Assanhar o Centrão é fácil, levar são outros 500

Marcelo de Moraes

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Depois de passar os primeiros 16 meses do seu governo rejeitando o presidencialismo de coalizão e criticando tudo o que sempre caracterizou a chamada velha política, Jair Bolsonaro e seus principais articuladores começaram a se aproximar de líderes dos partidos integrantes do Centrão. Os objetivos são claros: tentar montar um núcleo mínimo de apoio que seja suficiente para barrar qualquer tentativa futura de abertura de um processo de impeachment contra Bolsonaro e enfraquecer o poder do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que tem ascendência sobre o grupo.

Deputados do centrao no plenário da Câmara

Deputados do Centrão no plenário da Câmara Foto: Dida Sampaio/Estadão

O primeiro movimento explícito foi o de atrair o presidente do PTB, Roberto Jefferson, para o lado do governo. Veterano da velha política, o ex-deputado se notabilizou pelas revelações feitas sobre o mensalão petista e também por ter passado uma temporada preso na cadeia, justamente pelas irregularidades cometidas. Durante o mandato de Michel Temer, Jefferson já tinha se aproximado do Planalto e não é estranha a sua boa vontade com o governante da vez. Novidade é o presidente trazer abertamente para o seu grupo um político com o perfil de Jefferson. E a busca pelo apoio de outros nomes do Centrão também sinaliza que o balcão do toma lá, dá cá já está sendo preparado para funcionar.

Desde os tempos em que a Câmara era comandada pelo deputado Eduardo Cunha, o Centrão tem sido a força política mais organizada dentro do Congresso. E esse poder surgiu do fato de se manter como uma unidade na sua forma de atuação. Na política, não é possível ignorar a força que tem a caneta de um presidente da República e um aceno vindo do Planalto sempre pode conseguir muita coisa. Mas uma coisa é assanhar o interesse político de integrantes de um grupo que tem dominado o Congresso há pelo menos seis anos justamente por atuar coesamente. Outra coisa é convencê-lo a romper com uma estratégia bem-sucedida. Talvez seja preciso muita mais tinta de caneta do que o governo imagina.