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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Assombrado pelo efeito Biden, Bolsonaro dá munição para opositores

Marcelo de Moraes

A derrota de Donald Trump para Joe Biden na eleição dos Estados Unidos ligou todos os sinais de alerta político para Jair Bolsonaro. Como a reeleição é sua prioridade, o presidente enxergou no fracasso de Trump um risco para o seu próprio triunfo em 2022. Se aconteceu com seu ídolo político, para quem já até falou um inusitado “I love You”, pode acontecer no Brasil também. E bastou a movimentação política de seus opositores para que esse “efeito Biden” o tirasse do sério.

O presidente Bolsonaro em visita à Casa Branca. Foto: Isac Nóbrega/PR

Assombrado pelo risco de perder a reeleição, o presidente desandou a cometer erros políticos. A comemoração da suspensão do teste da vacina Coronavac por ordem da Anvisa reforçou a imagem de sua falta de sensibilidade em relação às vítimas do coronavírus. Ainda mais com a situação envolvendo a morte de um voluntário dos testes da vacina em condições tão delicadas. Em vez de mergulhar, voltou à carga com declarações públicas absurdas, reforçando seu negacionismo, como quando afirmou que o Brasil tinha que deixar de ser “um país de maricas” e encarar a doença.

A bravata feita contra os Estados Unidos, ameaçando o futuro governo de Biden com pólvora, por conta das críticas em relação à política ambiental brasileira, só servem para lhe fragilizar interna e externamente. Ou alguém acredita que o Brasil vai guerrear ou romper com os Estados Unidos? Além de ser comparado ao “Sargento Pincel” dos Trapalhões nas redes sociais, ainda teve de ver uma publicação do embaixador dos Estados Unidos, Todd Chapman, enaltecendo a capacidade de ação dos fuzileiros americanos.

O erro estratégico de Bolsonaro é maior porque ele acaba dando munição a uma oposição que segue ainda bastante desorganizada e com dificuldade para atuar em conjunto. A esquerda veta alianças que envolvam nomes mais conservadores e vice-versa. Já os nomes do Centro querem uma aliança desde que encabecem a futura chapa.

E, o mais importante: ainda falta tempo demais para a eleição de 2022. Bolsonaro deveria estar priorizando o combate à pandemia e  incentivando a retomada da economia. Nem uma coisa, nem outra está acontecendo. Pelo contrário, o ministro da Economia, Paulo Guedes, cita explicitamente o risco de aparecimento uma assombração tão poderosa quanto qualquer “efeito Biden”: o risco da volta da hiperinflação. Se quiser chegar competitivo em 2022, são essas as preocupações que o presidente deveria estar priorizando. Do contrário, estará fornecendo pólvora farta para as armas dos adversários.

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