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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Bolsonaro 2.0 é uma volta às origens do presidente

Marcelo de Moraes

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A cada dia, Jair Bolsonaro vai consolidando um novo figurino para o seu governo, bastante distinto do que foi apresentado na campanha. Só que a versão 2.0 de Bolsonaro se parece cada vez mais com uma volta às origens políticas do presidente, num modelo que prepara o terreno para uma eventual campanha pela reeleição.

O presidente Jair Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro Foto: Dida Sampaio/Estadão

O espaço cada vez maior cedido ao Centrão recupera a proximidade política de Bolsonaro com os partidos aos quais foi filiado nos 28 anos em que foi deputado federal. Entre os nove partidos pelos quais passou, o PP foi onde permaneceu mais tempo (11 anos). A legenda é hoje, justamente, a principal força do Centrão. Mas Bolsonaro passou também pelo PTB, PSC, PFL (hoje DEM), entre outros. Ou seja, a aproximação com o Centrão o reúne com antigos companheiros de bancada.

O aumento cada vez maior de militares dentro do governo é menos surpreendente ainda, já que Bolsonaro sempre priorizou as causas do setor no seu mandato de deputado. Ele nunca escondeu o perfil quase de um sindicalista militar e sempre se reelegeu com esse apoio.

O que vai ficando para trás no seu governo são pontos que ele passou a ressaltar recentemente. O liberalismo econômico foi abraçado por conta da chegada de Paulo Guedes na sua campanha. Inspirado pelos militares, o presidente sempre foi muito mais próximo do discurso nacional-desenvolvimentista. E isso explica porque, mesmo apoiando Guedes e seu discurso liberal, a visão desenvolvimentista ganha cada vez mais espaço na administração. Mas, nesse momento, Bolsonaro sabe que Guedes ainda é vital para a imagem do seu governo não se deteriorar na economia.

O afastamento do chamado núcleo ideológico também não pesa tanto para o presidente porque também se trata de um alinhamento que ocorreu apenas na campanha. Importantes para consolidar a candidatura nas redes sociais, os chamados ideológicos trouxeram muito mais balbúrdia do que vantagens para o governo de Bolsonaro. Aos poucos, o presidente vai reduzindo seus espaços dentro do governo, mas reconhece que eles continuam tendo importância na militância, especialmente na virtual.

O Bolsonaro 2.0 mira 2022 e um novo mandato presidencial. A dúvida é se essa volta às origens terá consistência política para se manter sólida politicamente.