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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Bolsonaro aumenta centralização do poder

Marcelo de Moraes

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A saída de Nelson Teich do Ministério da Saúde mostra que Jair Bolsonaro pretende centralizar, cada vez mais, as decisões estratégicas de todas as áreas do governo. Mesmo naquelas em que não tenha domínio técnico, como é o caso da Saúde.

O presidente Jair Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro Foto: Gabriela Biló/Estadão

Teich foi obrigado a pedir o boné porque percebeu que perdera qualquer autonomia sobre sua Pasta, apesar de ser um médico respeitado pelo setor. O problema é que quem mandava era Bolsonaro, que decidiu impor sua visão sobre as ações do Ministério em relação ao coronavírus.

Teich não foi o único ministro a acreditar na existência de uma carta branca dada por Bolsonaro para cuidar do Ministério. Sérgio Moro decidiu se demitir acusando o presidente de tentar interferir na Polícia Federal. Na Cultura, Regina Duarte cobrou a promessa de carta branca já na posse, mas perdeu a autonomia rapidamente e ainda é candidata à ser trocada.

Na Economia, Paulo Guedes tem engolido sapos, mas ainda de tamanho administrável. Até porque sua área representa o terreno mais árido para Bolsonaro. Mesmo assim, o presidente já fez o “Posto Ipiranga” passar por situações difíceis.

O fato é que, com a redução de sua popularidade aumentando, Bolsonaro acabou decidindo chamar mais para si o controle dos movimentos do governo. É um passo para lá de arriscado, mas mostra sua preocupação em tentar se blindar contra o desgaste da sua força política.