Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Bolsonaro fez apostas eleitorais de risco e prejuízo pode ser alto

Marcelo de Moraes

Dois anos depois de ter sido eleito presidente, Jair Bolsonaro jogou alto e de forma arriscada nas eleições municipais. Suas duas principais apostas, o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, e o deputado Celso Russomanno em São Paulo, ambos do Republicanos, correm o risco de não chegar sequer ao segundo turno. Se isso se confirmar nesse domingo, 15, o prejuízo político do presidente será elevado e mostrará uma fragilidade pode minar ainda mais sua força.

Em vídeo de 1 minuto veiculado pela campanha de Marcelo Crivella no horário eleitoral, fala do presidente ocupa 40 segundos

Em vídeo de 1 minuto veiculado pela campanha de Crivella no horário eleitoral, fala do presidente ocupa 40 segundos. Foto: Reprodução/Twitter

Não é positivo para um presidente eleito há pouco tempo chegar num papel tão irrelevante logo na primeira votação feita após seu triunfo. Num governo incessantemente mergulhado em balbúrdias, Bolsonaro parece seguir confiando num formato de fazer política baseado na mistura de gogó com ações nas redes sociais. Até agora, não deu certo. Russomanno e Crivella não têm a menor ideia se conseguirão terminar o domingo garantidos para o segundo turno ou procurando novos desafios. E, se isso se confirmar, ajudarão a puxar para baixo a força política do presidente.

Se essa tendência não se alterar, Bolsonaro pode terminar o fim de semana como um dos maiores derrotados da eleição. E os insucessos vão se enfileirando para o presidente. Além de não eleger seus apoiados, Bolsonaro teve de desistir de criar seu partido, o Aliança Pelo Brasil, deverá ver o fortalecimento dos candidatos de Centro e até o bom desempenho de candidatos de esquerda em algumas cidades.

Bolsonaro pode ficar também sem nenhum aliado no comando das quatro maiores cidades que estão em disputa: São Paulo, Rio, Belo Horizonte e Salvador. Dessas, duas podem ficar com o DEM, uma com o PSDB e outra com o PSD, três partidos que podem de organizar contra Bolsonaro em 2022, lançando seu próprio candidato ao Planalto.

A situação ainda piora para Bolsonaro porque tanto Crivella quanto Russomanno podem ficar de fora do segundo turno por causa de candidatos da esquerda: Delegada Martha Rocha (PDT), no Rio, e Guilherme Boulos (PSOL) em São Paulo.

Por isso, somado à recém-derrota de Donald Trump nos Estados Unidos, insucesso nas apostas municipais deve reduzir ainda mais o cacife político do presidente.