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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Bolsonaro não mudou de opinião. Só fez recuo estratégico

Marcelo de Moraes

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O tom moderado adotado por Jair Bolsonaro no seu pronunciamento em cadeia de rádio e televisão de ontem passou uma primeira impressão de que poderia, finalmente, estar recuando da defesa do fim do isolamento no combate ao coronavírus. O presidente chegou até a propor um pacto com governadores, prefeitos, Congresso e Judiciário. Mal o dia virou, Bolsonaro já estava de volta ao tom de sempre, usando suas redes sociais para postar um vídeo com uma pessoa atacando os governadores.

O presidente Jair Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro Foto: Gabriel Biló/Estadão

Não há dúvidas que a mudança de tom no pronunciamento foi apenas um movimento tático, um recuo estratégico de quem ficou isolado politicamente na discussão sobre a melhor maneira de combater o coronavírus. Na semana passada, o presidente tinha usado a mesma cadeia de rádio e televisão para disparar suas baterias contra o isolamento rigoroso defendido pelo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e praticado pela imensa maioria dos governadores. Criticado fortemente pelo tom beligerante de sua fala, o presidente viu as críticas – e os panelaços – contra si se ampliarem vigorosamente. Por isso, amenizou ontem seu tom.

Ao falar pela quarta vez em um mês em cadeia de rádio e televisão, Bolsonaro buscou mandar uma mensagem de conciliação para tentar recuperar o prestígio perdido depois que a crise do coronavírus explodiu. Num dia em que o Brasil registrou o maior número de novos casos e de mortes em apenas 24 horas, o presidente não teria como seguir martelando na tecla do relaxamento do isolamento. Mas, passado o momento do pronunciamento, tudo indica que Bolsonaro voltará a sua programação normal.