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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Bolsonaro quer supermercado “verde e amarelo”

Marcelo de Moraes

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Não é novidade para ninguém que Jair Bolsonaro se elegeu tendo o discurso do nacionalismo e do patriotismo como um de seus pilares centrais. Mas daí a imaginar que setores da economia vão atender seus apelos por patriotismo e mudar de práticas é só parolagem ideológica.

No mês passado, o presidente já tinha pedido compreensão e patriotismo ao mercado financeiro, depois da reação ruim à possibilidade de furar o teto de gastos. “O mercado tem que dar um tempinho também. Um pouquinho de patriotismo não faz mal a eles”, afirmou na ocasião. Naturalmente, o mercado ignorou solenemente a declaração e seguiu operando segundo sua própria dinâmica.

Hoje, Bolsonaro apelou ao patriotismo dos donos de supermercados, por conta da elevação de preços, incluindo itens da cesta básica, e do risco de inflação. “Estou conversando para ver se os produtos da cesta básica aí… estou pedindo um sacrifício, patriotismo para os grandes donos de supermercados para manter na menor margem de lucro”, disse.

Talvez o presidente tenha se levado pelo nacionalismo dos programas prometidos pelo seu governo, como o Casa Verde e Amarela, Renda Brasil, Emprego Verde e Amarelo, etc, e sonhe com uma espécie de “Supermercado Verde amarelo”, onde todos os preços são justos.

Mas, no caso dos supermercados, pedir patriotismo parece menos eficaz do que o governo se reunir com o setor e cobrar explicações pela elevação de preços. E, se houver abusos, agir para reverter. Ainda mais que o setor foi um dos raros que não foi prejudicado pelos efeitos da pandemia do coronavírus. Pelo contrário. A preocupação do presidente com os preços é correta. Mas o discurso nacionalista, nesse caso, só serve para tirar o foco do problema, que é sério.

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