Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Bolsonaro rifa Weintraub para tentar salvar a pele

Marcelo de Moraes

Exclusivo para assinantes

Num vídeo constrangedor, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, anunciou sua saída do cargo. Ao seu lado, estático e de cara amarrada, Jair Bolsonaro ouviu o discurso melancólico do seu agora ex-auxiliar. A cerimônia do adeus do seu ministro mais afinado com a ala ideológica mostra que o presidente está disposto a fazer o que for necessário para tentar manter seu governo de pé. Mesmo que isso signifique dispensar o ministro mais afinado com sua militância.

O presidente Jair Bolsonaro e o ex-ministro Abraham Weintraub

O presidente Jair Bolsonaro e o ex-ministro Abraham Weintraub Foto: Reprodução

Bolsonaro sabe que o cenário político mudou e que já não tem mais o capital político que o levou ao Planalto. Sabe também que o Judiciário levará adiante inquéritos e ações que podem atingir seus aliados e até ameaçar seu mandato presidencial. E sabe também que a prisão hoje de Fabrício Queiroz vai começar a assombrar seu governo.

Pressionado como nunca, decidiu entregar a cabeça do auxiliar que mais atacou os ministros do Supremo Tribunal Federal. Weintraub os chamou de “vagabundos” e defendeu prisão para eles. Assim, a demissão do ministro é uma tentativa de baixar a temperatura e sinalizar para o STF que deseja algum tipo de trégua. Não se sabe se isso ainda é possível, mas o presidente busca conseguir um pouco de fôlego.

Com dois fatos de impacto no mesmo dia – Queiroz preso e Weintraub demitido -, a temperatura política sobe às alturas. Bolsonaro mostrou hoje que sentiu a pressão e que vai tentar salvar a própria pele.