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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Bolsonaro segue pregando contra isolamento

Marcelo de Moraes

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Teve gente que acreditou que o tom moderado de Jair Bolsonaro no seu último pronunciamento era um sinal de que poderia, finalmente, estar se rendendo à necessidade de apoiar o isolamento no combate ao coronavírus. Como escrevi aqui antes, tratava-se apenas de um recuo estratégico. Enfraquecido e desgastado por remar na direção oposta do que recomendam as autoridades médicas, Bolsonaro mudou de conversa, mas nunca mudou de opinião.

Hoje, no mesmo dia em que o coronavírus tem o maior número de mortes em 24 horas – 58 – e os novos casos superam os mil diários pelo terceiro dia seguido, o presidente voltou a criticar os governadores pelas suas medidas rigorosas para garantir o isolamento. Dois dos alvos das críticas citados nominalmente pelo presidente: João Dória (SP) e Carlos Moisés (SC).

Exemplos do que Bolsonaro falou na sua conversa com um grupo de pastores e que foi transmitindo em forma de live pelas suas redes sociais: “Vocês sabem minha posição desde o início: não pode deixar de trabalhar”. “A segunda onda que vem em função do desemprego vai ser terrível”. “Eles (os governadores) acabaram com o comércio”. “Parece que tem competição para quem tem mais medidas”.

É o mesmo discurso que o presidente vem adotando desde o início da crise do coronavírus. Pressionado pela opinião pública, Bolsonaro, aparentemente, deixou que o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, seguisse tocando o barco nas medidas para combater os efeitos da doença. Mas, politicamente, segue resmungando contra a medida que é apontada como capaz de retardar o avanço da doença.

Publicado por Jair Messias Bolsonaro em Quinta-feira, 2 de abril de 2020