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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Bolsonaro tenta salvar discurso de austeridade

Marcelo de Moraes

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Jair Bolsonaro reagiu de forma rápida e dura à notícia de que o secretário executivo da Casa Civil, Vicente Santini, tinha exagerado no uso do jato da FAB, para se deslocar para a Suíça e para a Índia. Ele anunciou sua saída do cargo e prometeu impor linha dura, além de novas regras para a utilização dos aviões oficiais.

O presidente também aumentou o tom de cobrança sobre o pagamento de aditivos, já no seu governo, para a investigação da polêmica caixa-preta do BNDES – que, ao que conste, não provou nada além de que há dinheiro sobrando para bancar apurações desse tipo. Bolsonaro chamou de “errado” o pagamento desse aditivo e quer explicações sobre o que ocorreu.

A adoção de ações mais fortes, como a demissão de um auxiliar importante, e o tom mais incisivo nas cobranças contra supostos malfeitos com recursos públicos, mostram a preocupação do presidente em blindar sua imagem.

Durante a campanha, Bolsonaro atraiu muito apoio com o discurso de combate à corrupção, defesa da austeridade e fim da velha política. O slogan do “acabou a mamata” encontrou eco na sociedade e foi um pilar importante no sucesso de sua candidatura.

À medida em que pipocam casos desse tipo envolvendo pessoas de seu governo, o presidente vai vendo esse discurso ir por água abaixo. Politicamente, a situação piora por ocorrer justamente num momento em que há ruído na relação com o ministro da Justiça, Sérgio Moro, famoso pelo combate à corrupção.

Assim, Bolsonaro busca retomar o fio da meada, cobrando austeridade publicamente, numa tentativa de blindar sua imagem desses problemas.

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