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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Com Centrão pulando o muro, Maia não quer briga com Planalto

Marcelo de Moraes

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O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, adotou hoje um tom para lá de cauteloso ao tratar da possibilidade de abertura de processo de impeachment contra Jair Bolsonaro. Há pelo menos trinta pedidos desse tipo sobre a sua mesa, mas, nesse momento, parece improvável que Maia coloque algum deles para avançar. Depois de ter se mantido em silêncio durante todo o barulhento processo de saída de Sérgio Moro do governo, Maia disse que “todos esses processos precisam ser pensados com muito cuidado”.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia Foto: Michel Jesus/Câmar

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia Foto: Michel Jesus/Câmara dos Deputados

Alvo de ataque maciço das redes bolsonaristas, Maia não pretende bancar um processo de impeachment que não tenha respaldo e votos no Congresso. Com seus aliados do Centrão negociando apoio ao Planalto em troca de espaços no governo, o deputado sabe que, hoje, o processo não teria apoio suficiente para ser aprovado. Mas entende que todas as demais discussões dentro do Congresso e do governo ficariam em segundo plano, ofuscadas pela discussão em torno da cassação do presidente. E há uma pauta de socorro econômico para ser votada.

Pela instabilidade já demonstrada por Bolsonaro na condução de negociações políticas, Maia deve prever que logo o Centrão poderá se desiludir com os acenos do presidente e largá-lo de mão outra vez.  Mas, nesse momento, em que o clima de paquera entre Bolsonaro e a bancada do Centrão está cada vez mais forte, ele deve imaginar que um pedido de impeachment encontraria pouco eco.