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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Com mais de 2 mil mortes já registradas, desafio de Teich será imenso

Marcelo de Moraes

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Depois de tomar posse hoje como novo ministro da Saúde, Nelson Teich recebeu seu primeiro choque de realidade do imenso tamanho do trabalho que terá pela frente no combate ao coronavírus. Houve novo recorde de registro de mortes e de ocorrências nas últimas 24 horas. Foram mais 217 óbitos e 3.257 ocorrências. Com isso, os totais acumulados já começam a assumir proporções cada vez mais preocupantes: 2.141 mortes e 33.682 casos.

O novo ministro da Saúde, Nelson Teich

O novo ministro da Saúde, Nelson Teich Foto: Joédson Alves/EFE

Obviamente, Teich não teve tempo ainda de fazer quase nada à frente da Pasta. Sua chegada hoje ao posto lembra mais aquele clássico caso do treinador que assume o cargo, mas apenas assiste da arquibancada seu novo time jogar pela primeira vez e o resultado é ruim. Pior: seu antecessor era idolatrado pela torcida.

Se parece não ter o carisma demonstrado por Luiz Henrique Mandetta, Teich chega respaldado por representantes importantes da área médica e, pelo menos por algum tempo, não precisará duelar publicamente com o presidente Jair Bolsonaro sobre qual maneira adotar no combate à doença. Mas o novo ministro corre contra o tempo. Ao contrário de Teich, o vírus não precisa se adaptar ao novo trabalho ou formar equipe ou mudar linhas de ação. Ele segue avançando e, pelos números, ainda não deu sinais de que possa já ter chegado ao seu pico.

Com os bolsonaristas pressionando para o relaxamento da quarentena e com os números de baixas ainda escalando a montanha, Teich terá um desafio gigantesco para superar. Afinal, com 813 mortes registradas nos últimos quatro dias, a impressão é que ainda deve piorar o quadro antes de melhorar.