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por Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Com o Congresso rachado, restou o STF para contestar o governo

Marcelo de Moraes

Desde o domingo, ministros do Supremo Tribunal Federal tomaram três decisões que causaram desconforto para o governo. Primeiro, Ricardo Lewandowski estabeleceu prazo de 48 horas para que o Ministério da Saúde dissesse quando começará o plano nacional de vacinação. Depois, Edson Fachin deu liminar suspendendo a isenção da alíquota de importação para pistolas e revólveres, autorizada pelo governo. Por fim, Cármen Lúcia deu 24 horas para que o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e Abin expliquem se ajudaram a defesa de Flávio Bolsonaro no caso das rachadinhas.

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Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Com o Congresso em ebulição política e dividido pela disputa pelo comando das duas Casas, é do Judiciário que partem as contestações aos excessos e às omissões do governo. No Parlamento, as críticas perderam força diante da prioridade total que a maioria dos deputados e senadores têm dado a luta por espaço político. E não se deve esperar que algo mude antes das eleições internas de fevereiro.

No Judiciário, as cobranças mexem em três áreas sensíveis para o governo Bolsonaro. Colocar de pé um plano nacional de vacinação é hoje o maior problema para a confusa gestão do general Pazuello na Saúde. Ainda mais estando contaminada pelo viés da disputa política com o governador de São Paulo, João Doria.

A derrubada da isenção para compra de armas atinge a ala ideológica do governo e o próprio presidente que colocou o incentivo ao armamento da população como uma de suas bandeiras de campanha.

Mas a mais grave é cobrança sobre uma possível participação de um órgão do governo, como a Abin, em auxílio à defesa de um dos filhos do presidente numa investigação.

Claro que o governo pode embromar ou sair de ladinho nas suas respostas aos ministros. Não será nem a primeira, nem a última vez que isso acontece. Pode também conseguir reverter a liminar contra as armas. Tudo jogo jogado. Mas a pressão provocada pelas ações do ministro causam desgaste na imagem do governo e o obrigam a tomar providências para se resguardar.

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