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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Com vetos, Bolsonaro contrata próxima crise com o Congresso

Marcelo de Moraes

A decisão de encher de vetos a Lei de Abuso de Autoridade coloca Jair Bolsonaro em confronto direto com o Congresso. Independentemente de quem está com a razão, a briga deve provocar estragos nos dois lados. A Lei de Abuso de Autoridade foi produto de uma insatisfação generalizada de deputados e senadores contra o que eles consideram como perseguição política, que estaria sendo promovida por integrantes do Judiciário e de órgãos de investigação. Muitas das investigações sofridas foram consideradas exageradas e os parlamentares se organizaram para por um limite nisso. Para o outro lado, porém, o projeto não passa de uma tentativa de intimidação contra agentes de investigação para conter o combate à corrupção.

O presidente da República, Jair Bolsonaro

Foto: Evaristo Sá/AFP

Assim que a notícia do veto chegou ao Congresso, a reação de parlamentares mais experientes foi a de prever a derrubada da maioria deles. Se isso, de fato, acontecer, Bolsonaro terá de administrar o desgaste de sofrer mais uma derrota na Casa. Em compensação, ganhará discurso juntos às suas redes sociais, que vinham cobrando o veto. Já deputados e senadores podem empurrar o projeto goela abaixo do presidente, mas voltarão a ser pressionados pela opinião pública por se alinharem à proposta. No fundo, é um jogo de perde-perde, justamente num momento em que o Congresso e governo estão concluindo a reforma da Previdência, tentando produzir uma reforma tributária e começando a discutir uma reforma administrativa. Ou seja, itens que podem ajudar na retomada do crescimento.