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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Congresso tenta apaziguar Poderes, mas missão é dura

Marcelo de Moraes

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Os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Rodrigo Maia, chamaram para si a tarefa de tentar colocar água gelada na fervura entre governo e Supremo Tribunal Federal. O problema é que o tom pesado das declarações dadas por Jair Bolsonaro e seus seguidores mais radicais, por conta da operação de combate às fake news e aos ataques a integrantes do STF, reduz bastante a margem de manobra para produzir algum tipo de conciliação. Além disso, os bolsonaristas já estão organizando um novo protesto contra o Supremo para este fim de semana, o que deve contribuir para piorar o ambiente.

O presidente Jair Bolsonaro com os presidentes do Senado e Câmara, Davi Alcolumbre e Rodrigo Maia

O presidente Jair Bolsonaro com os presidentes do Senado e Câmara, Davi Alcolumbre e Rodrigo Maia Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

Apesar dessa dificuldade, Alcolumbre procurou o presidente no Palácio do Planalto para tentar apaziguar os ânimos. O senador vai lembrar a Bolsonaro que radicalização ou medição de forças só vai piorar as coisas num momento em que a pandemia de coronavírus segue fazendo mais de mil vítimas fatais diariamente e a economia começa a contabilizar os primeiros números do seu prejuízo – o número de desempregados, por exemplo, já chegou a 12,8 milhões e vai aumentar.

Mesmo no papel de bombeiro, Rodrigo Maia acha que o presidente errou no tom de sua fala, feita hoje mais cedo, quando afirmou que dias como o de ontem não se repetiriam. “A gente não pode, em um sistema democrático, achar que só aquilo que nos interessa é nos agrada é correto, quando um outro poder toma uma decisão. O que divergimos também precisamos acatar” disse Maia. “Tem o direito da crítica e do recurso, existem trâmites legais muitas vezes no Judiciário, mas também no Legislativo. Mas o sistema democrático precisa ser respeitado”, lembrou.

Maia, porém, avaliou como positiva a decisão de alguém do governo ter tomado uma medida dentro das regras do jogo democrático para recorrer da situação. Ele avalia que o habeas corpus impetrado pelo ministro da Justiça, André Mendonça, indica um respeito às normas legais, embora avalie que o processo poderia ter sido feito pelo advogado-geral da União.

Com o Legislativo – pelo menos, por enquanto, fora da mira dos bolsonaristas – Maia insiste na tentativa de conciliação. “É importante que todos os Poderes possam continuar dialogando. Nós começamos um encaminhamento de diálogo muito produtivo. Não podemos, em um momento de crise, desorganizar e deixar que as instituições fiquem conflitando e gerando insegurança para toda a sociedade”, defendeu.