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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Corrida de 2022 pelo Planalto já começou

Marcelo de Moraes

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Ainda faltam cerca de dois anos e nove meses para que os brasileiros escolham seu próximo presidente, mas os movimentos na corrida sucessória estão cada vez mais claros. A política brasileira ensina que num período de tempo tão longo quanto esse muita coisa nessa disputa eleitoral ainda vai mudar. Mas, pelo menos três personagens centrais nesse cenário, Jair Bolsonaro, Sérgio Moro e Luciano Huck, se moveram de maneira importante nos últimos dias no tabuleiro de 2022.

Sérgio Moro aproveitou sua participação no programa Roda Viva, da TV Cultura, para mostrar, pela primeira vez de forma clara, sua face mais política. Tratou de marcar territórios que o diferenciam de Jair Bolsonaro em vários assuntos, mas, mais importante, foi evasivo sobre seu futuro político. É óbvio que Moro tem debaixo do braço as pesquisas que o apontam com uma popularidade maior que a do próprio presidente. E, claro, poderá usar isso da maneira que mais lhe interessar, incluindo a participação numa disputa eleitoral.

Essa maior desenvoltura política de Moro acabou provocando uma reação do presidente ao tratar de uma eventual divisão da pasta comandada pelo ministro em duas. Assim, admitia que poderia tirar de sua jurisdição a área de Segurança Pública e a Polícia Federal, enfraquecendo Moro que cuidaria apenas de uma Justiça esvaziada.

A reação indignada dos lavajatistas fez com que o presidente negasse apoio ao plano e atribuísse a ideia aos secretários estaduais de Segurança, que propuseram a criação de um ministério específico para a Segurança Pública, como existia no governo de Michel Temer. A turbulência deixou nítida a preocupação do presidente que Moro possa vir a se tornar um adversário poderoso no caminho da reeleição. Provavelmente, Bolsonaro mostrou suas cartas antes da hora e isso pode ter sido um erro estratégico. Mas exibiu também que ele já se prepara para uma talvez inevitável disputa contra o grupo dos lavajatistas.

Ainda sem assumir oficialmente sua candidatura presidencial, Luciano Huck pela primeira vez não refutou a hipótese quando teve seu nome lançado ao Planalto por um apoiador presente a sua palestra no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Uma possível candidatura do apresentador, conhecido em todo o território nacional por conta de sua carreira televisiva, pode ter impacto expressivo sobre o eleitorado, especialmente o de centro.