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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Cumprimento da China a Biden fragiliza negacionismo diplomático do Brasil

Marcelo de Moraes

A China rompeu seu silêncio ao cumprimentar Joe Biden pela vitória na eleição presidencial dos Estados Unidos. Para a diplomacia do governo Bolsonaro é uma péssima notícia, porque deixa o Brasil apenas com a companhia da Rússia, Coreia do Norte e México como países que ainda não deram parabéns ao democrata pelo triunfo.

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e o presidente Jair Bolsonaro

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e o presidente Jair Bolsonaro Foto: Alan Santos/Planalto

Alinhado totalmente ao presidente Donald Trump e suas infundadas alegações de fraudes na votação, o governo brasileiro segue agarrado a um negacionismo diplomático, como se isso fosse capaz de impedir a posse do presidente eleito. O governo chinês constatou isso e fez seu movimento lógico de reconhecer a vitória de Biden. Mas que ninguém espere que isso vai acontecer facilmente do lado do Brasil.

No comunicado do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Wang Wenbin, foi direto na mensagem e mostrou que a disputa interna americana é página virada para os chineses: “Respeitamos a escolha do povo americano. Enviamos nossas felicitações a Biden e a Harris”. Até o início da semana, o tom da diplomacia chinesa era: “Entendemos que o resultado das eleições presidenciais americanas será determinado de acordo com as leis e procedimentos dos EUA”. Em resumo: agora é bola para frente.

Mas, no Brasil, a estratégia está mais para tentar esconder a bola. A forte pressão da ala ideológica do bolsonarismo não tem permitido mudanças de atitude. A derrota de Trump é tratada como um baque para a direita mais radical e, por isso, há o endosso completo às alegações de fraude feitas pelo presidente, mesmo sem qualquer evidência que sustente essa teoria. Bolsonaro tem preferido abraçar esse negacionismo e, segundo aliados do presidente, talvez se mantenha até o fim sem fazer uma manifestação oficial reconhecendo Biden como vencedor.

Para o Brasil não há qualquer vantagem política com esse comportamento. Pelo contrário, há até perigo de prejuízo na construção da relação com o próximo governo americano. Já para o  presidente, o risco é o de ampliar sua própria rejeição interna, que já aumentou nas duas maiores cidades do País, São Paulo e Rio, como mostram as pesquisas do Ibope e do Datafolha.

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