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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Demissões viram ‘novo normal’ em governo atordoado por crises

Marcelo de Moraes

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Em dois meses, as demissões de ministros se acumulam no governo. Já são quatro nesse curto período: Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich na Saúde; Sérgio Moro na Justiça e Regina Duarte na Secretaria de Cultura, que tinha peso extra-oficial de ministério. Em todos os casos, o motivo foi a tentativa de interferência de Jair Bolsonaro em suas respectivas áreas, quase sempre impulsionado pela ala ideológica que assombra o seu governo e só alimenta com gasolina o fogo de suas crises.

O presidente Jair Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro Foto: Gabriela Biló/Estadão

O “quase sempre” só não é sempre porque o caso da saída de Sérgio Moro envolve acusação de tentativa de interferência na Polícia Federal. Ou seja, nesse caso, não se trata de motivação ideológica, mas, a depender do que o inquérito aberto no Supremo Tribunal Federal apontar na investigação, pode representar uma tentativa de salvar a própria pele.

O problema é que as demissões se transformaram numa espécie de “novo normal” do governo pela aparente falta de resposta melhor para solucionar crises. A pandemia de coronavírus sempre foi minimizada pelo presidente e a posição diferente dos ministros Mandetta e Teich se chocavam com essa postura. Os dois estão fora do cargo, não há ministro titular, mas a crise do coronavírus não passa. Pelo contrário, só aumenta, com mais de mil mortes diárias pela doença.

A mesma coisa acontece na crise aberta pela saída de Moro, que se transformou num inquérito com desdobramentos políticos que podem custar muito caro ao presidente Bolsonaro.

Com essa “rotina” de demissões, o governo só escancara seu atordoamento na maneira de lidar com as crises, o que acaba as tornando mais agudas ainda.

Para lembrar:

16 de abril – Mandetta demitido da Saúde

24 de abril – Moro pede demissão da Justiça

15 de maio – Teich pede demissão da  Saúde

20 de maio- Regina Duarte sai da Cultura