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por Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Derrota no Senado fragiliza Ernesto Araújo

Marcelo de Moraes

A rejeição pelo Senado da indicação de Fábio Marzano para o posto de Delegado permanente do Brasil em Genebra fragilizou ainda mais a situação do ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Antes da derrota, já havia pressões fortes dentro do governo para que o chanceler seja substituído na reforma ministerial. A avaliação é que sua atuação, muito mais de cunho ideológico, acabava desgastando ainda mais a imagem externa do País.

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo Foto: Antonio Lacerda/EFE

Nessa articulação, o nome considerado ideal para assumir a chancelaria é o do ex-presidente Michel Temer. Além do peso de ter comandado o País, Temer ainda poderia ajudar internamente numa aproximação maior com o MDB. Mas há dificuldades políticas grandes dos dois lados para serem superadas para que isso se concretize.

Na rejeição de ontem do embaixador Marzano, ficou clara a insatisfação dos senadores com seu comportamento. Ainda mais porque o problema aconteceu numa discussão sensível para a bancada do agronegócio, que é o impacto da política ambiental nos acordos comerciais internacionais.

Durante a sabatina na Comissão de Relações Exteriores, a senadora Kátia Abreu (PP-TO), uma das líderes da bancada do agronegócio no Congresso, não escondeu sua insatisfação pelo diplomata não ter respondido seu questionamento sobre a importância do acordo de livre-comércio em negociação entre Mercosul e União Europeia.

De noite, na votação do plenário, numa mobilização liderada pelo senador Major Olímpio (PSL-SP), o nome de Marzano foi rejeitado. E a fragilidade da situação de Ernesto Araújo ficou clara nas palavras do Major Olímpio.

“Esse indicado, Fabio Mendes Marzano, ao ser sabatinado na Comissão por uma das nossas senadoras, quando ela questionava; questionava, não, argumentava, e de forma coerente e como o Senado da República tem obrigação, esse senhor Fabio Mendes, de maneira grotesca, irresponsável, simplesmente disse que não era da sua alçada e não iria responder à senadora”, disse Olímpio antes de a votação se iniciar.

“Quero dizer agora ao Brasil que, se o Senado votar nesse cara – é cara –, nós estaremos negando a nossa própria existência e o respeito a cada um de nós. Então, eu peço, eu encareço: vamos votar contra, o Senado todo. Que se faça outra indicação no começo do ano. Mas vir aqui dizer o que foi dito, de forma grotesca, e isso sair barato! “Ah, mas eu sou do time do chanceler”. Para o inferno o chanceler! Respeito ao Senado, respeito aos senadores! Vamos todos votar contra esse cidadão”, afirmou Olímpio.