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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Em 2019, 2022 já está nas ruas

Marcelo de Moraes

Faltam mais de três anos para a eleição presidencial de 2022, mas os postulantes ao Planalto já desfilam suas possíveis candidaturas sem grandes rodeios. Depois do presidente Jair Bolsonaro, do governador de São Paulo, João Doria, do governador do Rio, Wilson Witzel, e do governador do Maranhão, Flávio Dino, o apresentador Luciano Huck coloca seus pés cada vez mais dentro dessa corrida tão antecipada, como as declarações de sua mulher, a também apresentadora Angélica, parecem indicar.

Claro que, oficialmente, nenhum desses políticos é candidato a nada. Nos bastidores, porém, se movimentam com grande disposição. O problema é que três anos, no mundo político, representam uma eternidade. Reviravoltas de cenário acontecem o tempo todo, mostrando como pode ser arriscado colocar o bloco na rua tão antecipadamente.

Exemplos não faltam. No primeiro semestre de 2018, embalado por conseguir conter a recessão na economia, o então presidente Michel Temer admitiu que poderia tentar concorrer à reeleição no fim do ano. A baixa popularidade de Temer e de seu governo frearam a decisão – no início do ano, o ex-presidente chegou a ser preso.

Um pouco mais distante, em 2015, a petista Dilma Rousseff celebrava sua posse para o segundo mandato presidencial depois de vencer disputa duríssima contra o tucano Aécio Neves. No ano seguinte, Dilma tinha sofrido impeachment. Envolvido no escândalo da JBS, Aécio desidratou politicamente e precisou disputar uma vaga na Câmara dos Deputados para não ficar sem mandato.

Antecipar tanto uma sucessão presidencial pode ser ainda mais complicada para quem está no cargo, como é o caso de Jair Bolsonaro. Independentemente de gostar dele ou não, o presidente deixa de ser visto apenas como o chefe do Executivo, mas passa a ser encarado também o como um candidato – e, em muitos casos, como um adversário. Esse fator, claro, aumenta a resistência à aprovação de projetos de interesse do governo porque seus oponentes passam a ter interesse no seu enfraquecimento. Trazer uma disputa de 2022 para 2019 pode ter como principal consequência um acirramento ainda maior do ambiente político.

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