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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Em pouco tempo, ‘nova política’ envelheceu terrivelmente

Marcelo de Moraes

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Eleito em 2018 no embalo da chamada “nova política”, o agora afastado governador do Rio, Wilson Witzel, exemplifica como esse movimento de renovação acabou envelhecendo rapidamente, abalado por escândalos e promessas não concretizadas.

O governador do Rio, Wilson Witzel (PSC) e o presidente Jair Bolsonaro Foto: Wilton Juinor/Estadão

No discurso, a nova leva vinha para renovar a corroída “velha política”, cercada de corrupção e incompetência por todos os lados (o que era verdade), liderada por uma fornada de arrojados gestores. Menos de dois anos depois, a carruagem vai virando abóbora e o encanto de quem se iludiu com essas promessas diminui na mesma velocidade.

Witzel e outros eleitos na “safra de 2018” estão às voltas com denúncias pesadas. Boa parte delas veio na área da Saúde, por causa da necessidade de gastos emergenciais no combate ao coronavírus. No Distrito Federal, onde o governo também se elegeu na esteira da renovação, o secretário de Saúde foi preso esta semana. Não faltam exemplos de problemas desse tipo.

E, no quadro nacional, Jair Bolsonaro deu um cavalo de pau no seu discurso de campanha contra o toma lá, dá cá, e já baila alegremente pelo salão nos braços do Centrão, que tanto criticou antes de se eleger. Não custa recordar que, naquele período, o agora ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, chegou a cantar o samba de Bezerra da Silva alterando a letra de “Se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão”, para “Se gritar pega Centrão”.  Esse tipo de “nova política” é uma velha conhecida dos brasileiros.

Entenda a denúncia

Witzel foi afastado do cargo por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e foi denunciado, junto com a mulher e mais sete pessoas, por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa envolvendo empresas ligadas à área da saúde. A denúncia aponta pagamentos feitos por empresas ligadas a Mário Peixoto, preso na Lava Jato, e pela empresa da família de Gothardo Lopes Netto, ex-prefeito de Volta Redonda (RJ), ao escritório de advocacia da primeira-dama Helena Witzel, que “foi utilizado para escamotear o pagamento de vantagens indevidas ao governador, por meio de contratos firmados com pelo menos quatro entidades da saúde ligadas a membros da organização criminosa e recebimento de R$ 554.236,50, entre agosto de 2019 e maio de 2020”.

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