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por Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Erra quem acha que o bolsonarismo não vai tentar reagir

Marcelo de Moraes

Depois do mau desempenho nas eleições municipais, Jair Bolsonaro e seus principais aliados vão buscar uma reorganização de suas estratégias políticas. Internamente, alguns deles admitem que faltou uma base partidária orgânica para o grupo, o que impediu a vitória de candidatos identificados com a política do presidente.

O presidente Jair Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro Foto: Gabriela Biló/Estadão

Além disso, a aposta em alguns candidatos como Celso Russomanno, em São Paulo, e no super desgastado prefeito do Rio, Marcelo Crivella, foi considerado um passo mal calculado.

Mas, mesmo acumulando derrotas nas eleições municipais, erra quem imagina que Bolsonaro não vai tentar se fortalecer outra vez. Como presidente, Bolsonaro ainda dispõe de muitos instrumentos para organizar uma reação e o apoio do Centrão será o caminho natural para buscar sua reeleição.

O problema é que há muitos desafios para cumprir essa tarefa. O primeiro é o desgaste provocado pelo seu negacionismo à pandemia do coronavírus, que segue fazendo muitas vítimas e ampliando seu desgaste. O segundo é a economia capenga, que coloca desemprego, inflação e recessão como fantasmas a assombrar o governo.

Outro desafio será entender que o radicalismo foi rejeitado pela imensa maioria dos eleitores. E, mesmo criticado, Bolsonaro nunca abriu mão desse estilo de fazer política. Ainda mais insuflado pela ala mais ideológica que o cerca.

Bolsonaro também viu fracassar o projeto de construir seu próprio partido. Vai precisar, portanto, repetir a estratégia que o levou para o PSL. E isso sempre gera a necessidade de acertos políticos complicados.

Para não dizer que tudo é problema, os bolsonaristas comemoraram o mau desempenho do PT, que não elegeu nenhum prefeito de capital. Mas existe a percepção entre os aliados do presidente que o espaço de vencedor nessa disputa escapou das mãos do grupo. Ou seja, quem quis votar contra a esquerda não precisou votar em candidatos apoiados por Bolsonaro. Para esse desafio político, o grupo ainda não tem uma resposta para dar.

Se escutar o recado que as urnas mandaram, Bolsonaro terá dois anos para arrumar seu rumo. Se insistir no modelo atual, poderá ver acontecer com ele o mesmo insucesso que barrou a reeleição do seu modelo Donald Trump, nos Estados Unidos.

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