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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Fala de Heleno abre crise do governo com o Congresso

Marcelo de Moraes

Já escrevi aqui sobre a incrível produtividade da usina de crises do governo. E a fábrica acaba de produzir mais uma das grandes, depois da fala do ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, em conversa com os ministros Paulo Guedes e Luiz Eduardo Ramos. A fala foi captada pelo áudio de transmissão do evento da troca da bandeira, no Palácio da Alvorada, e foi feita pelo próprio governo. Nela, Heleno reclamou em tom duríssimo da pressão feita pelo Congresso para garantir repasses bilionários de recursos orçamentários.

“Rapaz, nós não podemos aceitar esses caras chantagearem a gente o tempo todo. Fodam-se”, afirmou.

Foto: Marcos Corrêa/PR

Já era gasolina suficiente para causar um tremendo incêndio político, mas o general foi até o Twitter para reclamar da conversa ter vindo a público – a transmissão era do próprio governo – e insistiu nas críticas, citando “insaciáveis reivindicações de alguns parlamentares” e propondo que mudem a Constituição se “se desejam o Parlamentarismo”.

Claro que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, já devolveu as críticas feitas por Heleno com uma rabanada. “Uma pena que um ministro com tantos títulos tenha se transformado num radical ideológico”. E ainda lembrou que não o ouviu se queixar quando o Congresso aprovou o aumento da pensão dos militares reservistas.

Esse clima de beligerância passa a ser mais uma ameaça séria à discussão das reformas tributária e administrativas. Em tempos de paz, propostas como essas já são complexas por natureza e de difícil consenso. Com uma brigalhada dessas para piorar, o desafio fica maior ainda.