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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Foi o governo quem mandou a reforma para a bacia das almas

Marcelo de Moraes

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A proposta de reforma administrativa não avançou até agora por um motivo simples: o presidente Jair Bolsonaro e alguns dos seus principais auxiliares nunca morreram de amores pela ideia. Se a reforma é apontada por muitos especialistas como uma parte necessária para a modernização do Estado brasileiro, também é vista como fator de desgaste político por integrantes do governo. Ainda mais com o calendário eleitoral se aproximando.

O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes

O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

O agora ex-secretário especial de Desestatização Paulo Uebel, responsável pelo tema dentro do governo, decidiu jogar a toalha ao perceber que não havia vontade política do Planalto em brigar pela medida. Claro que há parlamentares contrários à reforma, o que aumenta sua resistência no Congresso. Mas o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, defendeu zilhões de vezes a importância de ela ser votada. E acenou com seu empenho para buscar um acordo em torno de sua aprovação. Também repetiu à exaustão que considerava essa mudança mais importante até do que a tributária. Só que ressaltou que o Congresso não poderia legislar sobre isso sem que o Executivo Federal tomasse a iniciativa.

E a saída de Uebel só sacramenta o que todos já tinham percebido: a iniciativa não será tomada por falta de vontade política do governo. O próprio ministro da Economia, Paulo Guedes, reconheceu ontem que o timing das reformas era política, concordando que a reforma tinha ficado para 2021. No Congresso, quando uma proposta importante perde apoio, costuma-se dizer que ela foi enviada para a “bacia das almas”, onde ficará vagando sem rumo, até que alguém a resgate, ou seja, definitivamente esquecida no limbo. Foi para lá que a reforma administrativa seguiu. E foi o próprio governo quem a enviou.