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por Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Formação de frente ampla já pesa em disputa por comando da Câmara

Marcelo de Moraes

Os grupos políticos que discutem a formação de uma frente ampla nacional para disputar a eleição de 2022 já se articulam para evitar que aliados de Jair Bolsonaro comandem Câmara e Senado. Com a reeleição de Davi Alcolumbre (DEM-AP) bem encaminhada, a ideia é que o grupo concentre seus votos num candidato que os represente. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), seria a escolha natural, mas uma nova reeleição é vedada pela legislação e o deputado tem repetido que não será candidato – mas há séria desconfiança que essa posição pode mudar.

Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre em sessão no plenário do Senado Foto: Dida Sampaio/Estadão

Independentemente disso, o plano é que nenhuma das Casas fique sob a influência do Planalto, o que garantiria peso maior do governo na organização das prioridades da agenda legislativa nos dois anos que antecedem a eleição presidencial. Existe a avaliação que a eleição, por exemplo, do líder do PP na Câmara, Arthur Lira (AL), garantiria esse espaço para Bolsonaro já que o deputado e seu partido se aproximaram politicamente com o governo. Lira é hoje um dos principais líderes do Centrão.

Oficialmente, ninguém assume o movimento, mas a ideia é tentar reduzir o apoio que os partidos de centro possam vir a dar para Lira. E também atrair a adesão de partidos de esquerda e centro-esquerda. Nessa aliança poderão estar DEM, PSDB, MDB, Cidadania, PDT, PSB, entre outros.

A aproximação política nacional já rendeu alguns gestos importantes. Maia foi ao Ceará se reunir com Ciro Gomes (PDT) e com o governador Camilo Santana (PT), declarando seu apoio público para a candidatura de José Sarto (PDT) no segundo turno da disputa pela prefeitura de Fortaleza. Depois, se reuniu em São Paulo, com o governador João Doria, principal nome do PSDB para a sucessão presidencial, e com o vice-governador Rodrigo Garcia (DEM). Poucos dias depois dessa conversa, em entrevista ao Estadão, Doria deixou claro que a construção da frente ampla era mais importante que candidaturas ou projetos pessoais.

Esse gesto não passou despercebido de Arthur Lira, que comentou a situação em postagem nas suas redes sociais, mostrando que já notou a movimentação. “Não entendo muito da política de São Paulo. Mas será que o João Doria foi convencido a se engajar no projeto Luciano Huck, candidatando-se à reeleição? Um exemplo incrível de desprendimento por parte do Rodrigo Garcia. Política inteligente e de nível elevadíssimo”, escreveu sobre o encontro dos três.

Com a eleição para o comando das Casas marcada para fevereiro, essas negociações devem se intensificar cada vez mais, trazendo também mais dificuldades para que a agenda de votações seja destravada até o fim da disputa.

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