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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Gesto de Sanders seria improvável na política brasileira

Marcelo de Moraes

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Nos Estados Unidos, Bernie Sanders decidiu hoje retirar sua pré-candidatura à Presidência dos Estados Unidos. Com isso, os Democratas passam a ter Joe Biden como candidato único, o que, certamente, servirá para concentrar os esforços do partido na disputa com Donald Trump, em novembro. Sanders sabia que Biden era o favorito para ser escolhido pelo partido. Em vez de se desgastarem numa disputa interna, retirou seu nome. E, assim, desde já o trabalho político dos Democratas passará a ser por Biden.

Joe Biden e Bernie Sanders, que disputavam a vaga do Partido Democrata americano para a eleição

Os políticos Joe Biden e Bernie Sanders, que disputavam a vaga do Partido Democrata americano para a eleição Foto: Gabriella Demczuk para CNN

No Brasil, ver a unificação de candidaturas da oposição parece ser algo inimaginável. Primeiro, pelo multipartidarismo que dificulta a conciliação de interesses. Segundo que raros políticos abrem mão de suas aspirações pessoais em nome da construção de um projeto sólido do qual ele fará parte, mas poderá não liderar.

Exemplo fácil de citar: em 2018, mesmo com Lula preso, o PT jamais admitiu abrir mão de sua candidatura presidencial em favor, por exemplo, de Ciro Gomes, para tentar derrotar Jair Bolsonaro. Mas são dezenas de exemplos. Por vaidade, teimosia, erro estratégico ou má avaliação, candidatos preferem se arriscar a ter pouquíssimos votos do que ajudar na consolidação de uma candidatura unificada. No maximo, veremos candidatos de muito menor peso desistindo de suas pretensões. E olhe lá.

Mesmo ainda faltando mais de dois anos para a próxima eleição presidencial, é difícil imaginar que as forças políticas contrárias a Bolsonaro se agregarão para tentar derrotá-lo em 2022.

Ao saber da desistência de Sanders, o ex-senador Cristovam Buarque, claro, comparou com o cenário brasileiro.

“Aqui, cada um da oposição vai até o fim e no final o Bolsonaro ganha”, disse. “Quando vamos ter gestos como este entre nossos candidatos responsáveis com o futuro do País?”, perguntou.