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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Governo Bolsonaro precisa de uma freada de arrumação

Marcelo de Moraes

As pesquisas feitas pela CNT/MDA e Datafolha apontam que a popularidade e a aprovação do governo de Jair Bolsonaro sofreram um desgaste muito maior do que se imaginava para um presidente no primeiro ano de administração. Embalado pelo triunfo nas urnas, o normal é que o presidente eleito tenha o primeiro ano para navegar tranquilo, enquanto estabelece as bases de sua gestão.

É nesse sentido que parece haver dois governos Bolsonaro dentro de um só. Um deles, tocado pela equipe econômica do ministro Paulo Guedes, avança na agenda liberal e consegue progressos com a aprovação da reforma da Previdência na Câmara – empurrado pela articulação política comandada pelo presidente da Casa, Rodrigo Maia. Mas enfrenta grandes dificuldades porque falta dinheiro para investimentos e o turbulento cenário externo atrapalha a retomada do crescimento. E existe um outro governo, tocado pelo presidente e seu entorno, em que polêmicas desnecessárias desgastam sua popularidade e acabam atravancando o ambiente político.

Bolsonaro vê sua aprovação encolher porque seus dois governos remam ao mesmo tempo em direções diferentes. Não adianta defender reformas e alimentar um ambiente de beligerâncias no Congresso. Não adianta defender o crescimento do agronegócio e sinalizar externamente com descaso para o Meio Ambiente e o desenvolvimento sustentável. Por mais que lhe agrade fazer o discurso recheado de falas fortes que seus seguidores nas redes sociais adoram, Bolsonaro já deveria ter percebido que isso pode ter servido para fazer com que chegasse ao Planalto, mas, agora, à frente do cargo, está lhe corroendo a popularidade com outros setores da população.

O resultado das duas pesquisas indica que Bolsonaro deveria adotar uma freada de arrumação para consertar os erros. Há uma demanda gigantesca por empregos no País e a boa notícia é que há sinais de alguma recuperação. A economia também começou a respirar um pouco melhor, como mostrou o resultado do PIB do 2º trimestre, que cresceu 0,4% e superou a previsão inicial de 0,2%. Mas tudo ainda é muito frágil e necessita de zelo absoluto do governo para não se perder.

É nesses dados que o presidente deveria se agarrar para bater seu bumbo político. Há um caminho que permite sonhar com a retomada do crescimento econômico. Mas se ele continuar sendo ofuscado pelas polêmicas desnecessárias, corre o risco de desaparecer. Igual à popularidade do presidente.

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