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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Governo e Congresso negociam trégua pela reforma

Marcelo de Moraes

O gesto feito pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, de procurar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, foi um movimento para tentar selar uma espécie de trégua entre governo e Congresso e evitar que a reforma da Previdência vá para o vinagre. Num tom mais suave em relação às críticas que fizera às mudanças incluídas no relatório do deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), o ministro sinaliza que entendeu que o cabo de guerra com o Congresso poderá atravancar a aprovação da proposta.

Guedes entrou em campo depois do anúncio do adiamento da votação do relatório da reforma. Estava tudo pronto para que Moreira lesse as alterações feitas no seu parecer, mas a sessão foi cancelada num movimento feito para avisar ao governo que o caldo da relação tinha entornado. Eram tantas reclamações que a freada de arrumação passou a ser o único caminho. Além de questões técnicas,  como a inclusão de Estados e municípios ou as regras para policiais e professores, deputados e senadores, incluindo a cúpula das duas Casas, tinham perdido a paciência com a sequência de críticas vindas do governo, incluindo Guedes, e, também, com os ataques recebidos nas redes sociais por grupos bolsonaristas. Em qualquer postagem que fizessem, eram chamados de “ladrões”. Além disso, o próprio Guedes ampliara essa irritação ao, supostamente, falar que o Congresso era “uma máquina de corrupção”, numa conversa com a presença do governador do Ceará, Camilo Santana (PT), e com outros parlamentares. Por meio de nota, Guedes disse que suas palavras foram tiradas do contexto. Mas, no calor das discussões do Congresso, àquela altura, pouco importava se havia contexto ou não. A grande queixa era de que deputados e senadores estavam administrando sozinhos o desgaste ao mexer num assunto tão polêmico quanto a Previdência e qualquer reivindicação por emendas ou repasses para seus Estados, mesmo que legítima, era vista como “toma lá, dá cá” ou “roubalheira” nas redes bolsonaristas. Assim, além de se exporem com seus eleitores, ainda eram chamados de corruptos. Ou seja: entregariam a reforma que ajudará o governo e, em troca, seriam achincalhados. Agora, com o gesto de Guedes, a ordem na reforma pode começar a ser retomada. /Marcelo de Moraes

 

 

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