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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Governo entrega Dnocs ao Centrão e ressuscita toma lá, dá cá

Marcelo de Moraes

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O Diário Oficial da União traz hoje a nomeação de Fernando Marcondes de Araújo Leão para comandar o Dnocs (Departamento Nacional de Obras contra as Secas). É o primeiro movimento oficial de peso da nova aliança política formada pelo governo de Jair Bolsonaro com os partidos integrantes do Centrão. A indicação foi feita pelo PP e o posto era cobiçadíssimo entre os parlamentares pelo seu alcance político. Assim como os demais partidos do Centrão, o PP receberá outros cargos importantes. Em troca, apoiará o governo Bolsonaro no Congresso. A parceria é nova, mas a política é velhíssima: está de volta, oficializada pelas paginas do DOU, a surrada e condenada prática do toma lá, dá cá.

Deputados do centrão

Deputados do centrão Foto: Dida Sampaio/Estadão

Bolsonaro se elegeu condenando o método, que ganho uma nomenclatura pomposa nos últimos anos: presidencialismo de coalizão. Nada mais é do que abrir espaços importantes dentro do governo, entregues a ocupantes apadrinhados pelo aliado político da ocasião. Bolsonaro pregou aos quatro ventos que era necessário acabar com as práticas da velha política e tratou de baixar a lenha no loteamento de cargos. Afirmou centenas de vezes que não haveria isso no seu governo. Um de seus principais apoiadores, o general Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional, chegou a cantar um samba de Bezerra da Silva (“…se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão”), no qual substituiu a palavra ladrão na letra original por Centrão, mostrando o que pensava do grupo político.

A necessidade política de se blindar contra um eventual pedido de abertura de processo de impeachment fez Bolsonaro abrir seus braços para acolher o Centrão e seus providenciais votos. Pode dar certo como estratégia de defesa. Mas é importante que o presidente não se esqueça que a política do toma lá, dá cá, costuma variar conforme a mudança de direção dos ventos. Até poucas semanas da votação do impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, o Centrão comandava ministérios no seu governo. Quando o clima político azedou de vez, desembarcaram tão rapidamente quanto tinham entrado e a petista teve seu mandato cassado com votos dos integrantes do grupo.