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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Governo mira nos mais pobres limitando juro do cheque especial

Marcelo de Moraes

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Desde sua chegada ao comando do Banco Central, Roberto Campos Neto vinha batendo na tecla que era preciso rever o mecanismo de funcionamento do cheque especial. Ele sempre insistiu que o modelo existente até então penalizava os mais pobres, que pagavam caro demais para recorrer ao limite extra. Hoje, o plano deixou o papel, com o governo definindo que os juros para o cheque especial não poderão passar de 8%. Será permitido que os bancos cobrem uma taxa mensal para disponibilizar o serviço. A decisão foi sacramentada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e passa a valer em 6 de janeiro de 2020.

A mudança no cheque especial mostra o governo acenando com uma “bondade” para os segmentos mais pobres. Hoje, cerca de 19 milhões de pessoas usam o cheque especial ultrapassando o limite em até R$ 500 mensais. Com as regras existentes até então, pagavam juros gigantescos, mesmo estourando por pouco seu limite. Na avaliação do governo, os pobres acabam financiando aqueles que têm limite alto mas não utilizam. Os bancos poderão cobrar uma tarifa de 0,25% sobre limite, mas isenta até R$ 500. Justamente para ajudar esse pelotão maior de pessoas que estouram sua conta por pequena margem.