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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Governo precisa fazer o beabá e mapear seus votos

Marcelo de Moraes

Há um consenso que o governo foi ingênuo ao não adotar uma estratégia política para blindar o ministro da Economia, Paulo Guedes, durante a audiência da Comissão de Constituição e Justiça. Falando sobre a reforma da Previdência, Guedes passou mais de sete horas levando pancada da oposição, tendo que se defender – muito bem, diga-se de passagem – praticamente sozinho. O erro tático do governo foi atribuído à falta de experiência.

Essa ausência de hora de voo costuma cobrar um preço alto no Congresso e uma medida urgente que os governistas já deveriam estar adotando é bem simples: mapear quantos votos a reforma tem hoje a seu favor. Primeiro, na CCJ, onde a proposta começa sua tramitação. Depois, na comissão de mérito e, por fim, no plenário. Parece o óbvio. Só que o governo tem tropeçado justamente por não fazer o beabá. Por exemplo: a CCJ tem 66 integrantes. Ou seja, para conseguir a primeira vitória da reforma, o governo precisa de 34 votos. E aí é importante mapear bem a comissão, que tem 12 integrantes do bloco PT/PSB/Psol/Rede. Ou seja: a tendência é que votem contra. Outros 14 são do bloco formado por PDT, Podemos, Solidariedade, PCdoB, Patriotas, Cidadania, Pros, Avante, PV e DC, que poderá dar a maior parte de seus votos contra a proposta. Se todos esses cismarem de ser contra, sobra um grupo de 40 deputados aonde o governo precisará arrumar 34 votos. Um deles é do Novo. Os outros 39 estão num blocão que tem de tudo. mas especialmente gente do Centrão: PSL, PP, PSD, MDB, PR, PRB, DEM, PSDB, PTB, PSC e PMN. A essa hora, numa disputa tão aguerrida como a da reforma, o governo já deveria saber de cor como pensa cada um desses deputados, sob pena de, mais tarde, acabar lamentando mais uma vez sua inexperiência. /Marcelo de Moraes

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