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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Governo serviu Guedes como carne aos leões

Marcelo de Moraes

O ministro da Economia, Paulo Guedes, teve a disposição de assumir a linha de frente da defesa da reforma da Previdência no Congresso. Do mesmo jeito que encarou a pressão dos senadores, na semana passada, topou falar ontem para os deputados na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. Claro que o ministro sabia que a oposição, contrária à proposta, partiria para cima dele nesse debate. O que Guedes, provavelmente, não imaginava é que o governo o deixaria praticamente sozinho e totalmente exposto na discussão. Depois de mais de oito horas levando bordoadas – e dando algumas – Guedes acabou perdendo a paciência com um ataque do deputado Zeca Dirceu (PT-PR) e estourou. Com troca de desaforos para todos os lados, a sessão terminou seus trabalhos em clima de briga de feira. Ou seja: tudo o que a reforma não precisava nesse momento.

É difícil de entender o que leva o governo a expor tão abertamente um de seus integrantes mais importantes e que serve de referência para toda a política econômica. Até principiantes sabem que se o ministro ia enfrentar opositores, era estratégico colocar aliados para ajudar na sua defesa. Poucos deram as caras na CCJ, enquanto opositores fizeram plantão na porta da comissão antes de sua abertura para garantir suas inscrições e poder questionar o ministro. O gesto mais importante pró-Guedes foi feito pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que ficou ao seu lado na mesa, durante boa parte da sessão. Mas pela sua posição institucional na Casa, precisou se manter neutro na sessão. Já a oposição escalou sua tropa de choque para metralhar não a pessoa física de Paulo Guedes, mas sim o ministro da Economia de Jair Bolsonaro. É isso o que governo parece não ter entendido. Ao servir a carne do ministro para seus adversários, sem qualquer blindagem, quem se expôs foi o próprio governo, passando, mais uma vez, a impressão de desarticulação política e falta de empenho para aprovar a reforma. /Marcelo de Moraes

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