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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Governo subestimou coronavírus e preço pode ser alto

Marcelo de Moraes

A entrevista coletiva de Jair Bolsonaro e seus ministros para falar sobre as providências do governo para reduzir o impacto do coronavírus coincidiram com o anúncio de mais duas mortes no Brasil pelo vírus. Já são três oficialmente, mas podem ser mais, já que alguns casos suspeitos sequer foram testados ainda. É sintomático. Com exceção do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, o governo só nos últimos dias acordou para o gigantesco problema que o coronavírus representa. E esse erro já começa a ter um custo político muito alto para Bolsonaro.

O presidente Jair Bolsonaro e a equipe de seus governos na coletiva desta quarta

O presidente Jair Bolsonaro e a equipe de seus governos na coletiva desta quarta Foto: Reprodução/TV BrasilGov

Não é preciso ir muito longe para ver como Bolsonaro e outros ministros encararam o vírus. Enquanto China e países europeus, especialmente a Itália, enfileiravam milhares de casos e centenas de mortos, parecia que o assunto não dizia respeito ao País. O presidente chamou o problema de “fantasia” na semana passada. E ainda continua falando em reação histérica das pessoas e culpando a imprensa. O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse, em entrevista à Veja, que com “R$ 3 bilhões, 4 bilhões, 5 bilhões”, aniquilava o coronavírus. Alguns dias depois, foi obrigado a anunciar um pacote de medidas no valor de R$ 147,3 bilhões para socorrer a economia, mirando os mais pobres, idosos e manutenção de empregos. Agora, o presidente decretou Estado de Calamidade Pública.

Ter subestimado o problema tem causado um desgaste político para Bolsonaro como ele ainda não tinha experimentado. E os panelaços que começaram a acontecer em algumas das principais cidades do País indicam a insatisfação popular. Na entrevista de hoje, em nenhum momento, fez qualquer mea culpa em relação ao seu comportamento. Se essas ações de emergência tivessem sido anunciadas duas ou três semanas atrás, quando o problema já era concreto em outros países, talvez o País estivesse lidando bem melhor com a situação.

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