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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Governo tem janeiro com cara de agosto

Marcelo de Moraes

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O governo está atravessando o primeiro mês do ano enfileirando uma crise atrás da outra. Começou com o discurso com tons nazistas feito por Roberto Alvim, que lhe custou o cargo à frente da Secretaria de Cultura.

Foto: Dida Sampaio/Estadão

Em seguida, uma trombada de Jair Bolsonaro com o ministro Sérgio Moro, ao admitir que estudava desmembrar a área da Segurança Pública da Justiça para criar uma nova pasta.  O movimento, que enfraqueceria politicamente o cada vez mais popular Moro, causou enorme desgaste entre os lavajatistas e o presidente acabou recuando. Disse que essa era apenas uma proposta defendida por secretários estaduais de Segurança e que ele não dividiria o Ministério.

Bolsonaro não participou do Fórum Econômico Mundial, em Davos, mas o ministro da Economia, Paulo Guedes, foi ao evento. E escutou toda a pressão de agentes econômicos internacionais em relação à necessidade de práticas ambientais sustentáveis como condição para atrair investimentos.

Enquanto isso, no Brasil, o colapso no atendimento da Previdência Social criou filas gigantescas e custou a cabeça do presidente do INSS, Renato Vieira. Já o presidente do BNDES, Gustavo Montezano, precisou fazer uma ginástica argumentativa para explicar porque a instituição topou pagar uma pequena fortuna – R$ 42,6 milhões – por auditoria contratada no governo Temer e ampliada no atual governo – para tentar provar, sem sucesso, a existência de uma caixa-preta reveladora de maus feitos das gestões petistas passadas no banco.

Para, quem sabe, fechar o mês, o uso do jatinho da FAB para se deslocar para Suíça e Índia custou a cabeça do secretário-executivo da Casa Civil, Vicente Santini. Com sua demissão sumária sendo anunciada publicamente pelo próprio Bolsonaro, o caso que parecia caminhar para uma demonstração de responsabilidade do presidente, teve uma inacreditável reviravolta. Amigo da família Bolsonaro, Santini foi recontratado no mesmo dia para outro cargo na Casa Civil, com uma redução irrisória de salário. Revelada pela imprensa, a notícia causou uma enxurrada de críticas ao governo nas redes sociais, tão caras ao presidente. Hoje, ao perceber a gritaria nas redes, Bolsonaro amanheceu demitindo Santini outra vez e mexendo na estrutura da Casa Civil, que perdeu o PPI para o Ministério da Economia.

 

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