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por Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Há um clima de barata voa em Brasília

Marcelo de Moraes

Ninguém sabe direito como e quando se dará o processo de vacinação contra o coronavírus; a economia cresceu menos do que se esperava; as reformas e a agenda de destravamento da atividade econômica seguem paradas; o Congresso só pensa na disputa pelo comando da Câmara e do Senado.

Vista geral da Esplanada dos Ministérios com luzes apagadas, medida anunciada pelo ministro Paulo Guedes para cortar gastos

Vista geral da Esplanada dos Ministérios com luzes apagadas. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Depois das eleições municipais e do mau desempenho dos candidatos do presidente Jair Bolsonaro existe a sensação que se instalou uma espécie de clima de “barata voa” em Brasília. No lugar de organizar uma agenda prioritária de discussões e votações, o governo parece mais preocupado em tentar impedir uma eventual vitória do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, ou de alguém de seu grupo político do que botar a casa em ordem.

Claro que a luta interna pelo poder no Congresso, envolvendo ainda o Judiciário no pacote, só piora as coisas. A disputa pelo protagonismo e por postos poderosos têm prevalecido e talvez durem até a eleição nas duas Casas, que ocorrerá em fevereiro.

O drama é que enquanto governo e Congresso se enroscam nesse processo, a situação do País não vai se resolver sozinha. Com cada um cuidando do próprio jogo, o Brasil segue perdendo tempo na busca pela recuperação da economia. Quem se ilude com o crescimento de 7,7% do PIB do terceiro trimestre (abaixo dos 8,8% previstos pelo mercado) prefere apostar numa narrativa Poliana, onde tudo parece bom e os problemas não existem. O ritmo da economia está aquém do que deveria haver, inflação segue subindo, desemprego se mantém elevado e becas de sinal das reformas. E, o mais importante: há uma grande confusão, como sempre, na condução do combate ao coronavírus. Se não houver uma rápida freada de arrumação, o preço a ser pago poderá ser elevadíssimo.