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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Lula reocupa seu palanque e tenta polarizar com Bolsonaro

Marcelo de Moraes

Depois de 580 dias preso, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva mostrou neste noite de sexta, 8, que está disposto a recuperar o tempo perdido e já ocupou seu primeiro palanque. Logo depois de ser libertado, o petista fez um forte discurso atacando duramente o presidente Jair Bolsonaro, o ministro da Justiça, Sérgio Moro, e o Ministério Público, entre outros alvos. O ex-presidente carregou nas palavras classificando como “lado podre” do Estado brasileiro as pessoas responsáveis pela sua condenação e prisão.

É jogo jogado. Lula reocupa um espaço na oposição que estava vazio desde a sua prisão um ano e meio atrás. Mas, mais do que isso, Lula deixou claro que pretende reassumir seu protagonismo político e liderar a oposição numa polarização com Bolsonaro. Fora do jogo e com o antipetismo ainda forte, Lula sabe que outras alternativas políticas começam a ocupar terreno no xadrez político. Seu movimento é para evitar que o PT e ele próprio percam espaço nesse jogo. Mesmo que, para isso, precise usar uma visão partidarizada dos fatos, como, por exemplo, quando afirmou que Fernando Haddad teria sido eleito “se não tivesse sido roubado”.

Embora tenha falado que só há espaço para amor no seu coração, o petista também falou forte contra os responsáveis pela sua prisão, afirmando que “tentaram criminalizar a esquerda, criminalizar o PT e criminalizar o Lula”. É o velho discurso de perseguição política que os aliados do petista passaram os últimos tempos pregando.

E na estratégia da polarização, o ex-presidente também já partiu para cima do governo de Bolsonaro, a quem chamou de “mentiroso”. “O País poderá ser melhor quando tiver governo que não minta tanto no Twitter como Bolsonaro”, afirmou.

Lula explicitou uma outra parte da sua estratégia contra o governo, mirando nas medidas tomadas pelo governo econômico, que teriam, na sua visão, ampliado o desemprego, a fome e prejudicado os trabalhadores.

Como Bolsonaro também enxerga na polarização com Lula uma arma para se fortalecer politicamente, a briga deve crescer ainda mais nos próximos dias. Os bolsonaristas vão bater na tecla que Lula é um criminoso condenado. O petista vai responder que é perseguido político, mas que está pronto para reconduzir os brasileiros a um caminho de prosperidade. No meio desse tiroteio, o risco é que a polarização acabe contaminando negativamente a tentativa de retomada do crescimento econômico do País.

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