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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Maia deu seu recado, a dúvida é se o governo entendeu

Marcelo de Moraes

Batalhões de bombeiros foram mobilizados no fim de semana para tentar recuperar a relação política entre governo e Congresso. Embora os protagonistas da crise sejam o presidente Jair Bolsonaro e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, o problema é muito mais amplo. Maia atuou como uma espécie de porta-voz da irritação dos parlamentares com a indiferença e, em muitos momentos, com o desprezo demonstrados pelo governo em manter algum tipo de relação com deputados e senadores. Ele mesmo alvo de críticas de sites bolsonaristas, Maia avaliou que ele e seus colegas estavam sendo vistos pelo Planalto como tendo a responsabilidade pela aprovação de uma proposta central para o governo e sendo tratados como “aquela gente da velha política”. Ou seja, por essa visão, tinham todo o ônus de entregar a reforma – com o desgaste político que isso provoca – enquanto o governo ficaria com todo o bônus do sucesso da votação. E, se não houvesse sucesso, a culpa seria dos deputados e senadores que “só querem o toma lá, dá cá”.

Maia foi claro no seu recado. Governo e Congresso estão juntos no mesmo barco da reforma. Se for aprovada, quem ganha é o País. Se não passar, todos perdem. Cansado de receber queixas dos deputados e de ele próprio ser satanizado nas redes sociais, Maia usou seu papel de presidente da Câmara para enviar uma mensagem política muito dura ao presidente, dizendo que ia desembarcar da articulação pela aprovação da reforma. E deixava essa responsabilidade para o presidente e seus líderes. O recado foi dado. A dúvida é saber se o governo entendeu a importância do que está em jogo. /Marcelo de Moraes

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