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por Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Não convidem PT e PSB para a mesma mesa em 2022

Marcelo de Moraes

A disputa encarniçada pela prefeitura de Recife afastou politicamente os antigos parceiros PT e PSB. A troca de ataques e críticas na campanha dos primos João Campos (PSB) e Marília Arraes (PT) está criando diferenças políticas graves entre as duas legendas e o processo deverá culminar num distanciamento entre as duas siglas de esquerda na eleição nacional de 2022.

Os candidatos no Recife João Campos (PSB) e Marília Arraes (PT

Os candidatos no Recife João Campos (PSB) e Marília Arraes (PT) Foto: Dida Sampaio/Estadão e Ricardo Labastier/EFE

Para o PSB, todas as votações que envolvem Pernambuco são sempre estratégicas. É lá que se estabeleceu o núcleo mais influente do partido desde o tempo de Miguel Arraes e que se fortaleceu ainda mais com Eduardo Campos, até sua morte num acidente de avião durante a campanha presidencial de 2014. Hoje, o PSB governa o Estado e a capital. E com o lançamento do jovem deputado federal João Campos, filho mais velho de Eduardo, tenta manter o controle da cidade. O problema é que a disputa está empatada tecnicamente com a deputada federal Marília Arraes e não há um favorito.

Em 2018, para pavimentar o caminho da reeleição do governador Paulo Câmara, o PSB fechou um acordo nacional com o PT. Em troca de abrir mão de uma aliança com Ciro Gomes (PDT) na disputa presidencial, o PSB receberia apoio dos petistas em Pernambuco, Amazonas, Amapá e Paraíba, Estados onde poderia vencer. Na ocasião, o PT temia que a aliança com o PSB fortalecesse nacionalmente Ciro e atrapalhasse a candidatura de Fernando Haddad. Por isso, topou sacrificar seus candidatos ao governo desses quatro locais. Inclusive a própria Marília Arraes, em Pernambuco.

Dois anos depois, a repetição do acordo se mostrou inviável. Primeiro, o PT não tinha como pedir para Marília renunciar novamente a uma candidatura com grande potencial de sucesso. Além disso, com chances de vitória em poucas capitais (chegou ao segundo turno apenas em Recife e Vitória), o PT não podia se dar o luxo de abrir mão de tentar ganhar numa cidade tão importante quanto Recife.

Já o PSB, tampouco, quer perder uma de suas maiores vitrines administrativas. Comandada há dois mandatos pelo prefeito Geraldo Júlio, Recife é considerada central na luta para manter a hegemonia pernambucana.

É claro que essa disputa dura, com interesses em choque, produziu um cenário de pessimismo para que os dois partidos voltem a se reaproximar mais adiante.

Não é à toa que o PSB fala abertamente em participar de uma frente ampla de centro-esquerda para impedir a reeleição de Jair Bolsonaro e não inclui o PT nesse projeto. Segundo dirigentes do partido, isso acontece porque os petistas terão candidatura própria e isso apenas reproduzirá a situação que permitiu a vitória de Bolsonaro em 2018. Extra-oficialmente, porém, os problemas no relacionamento político acirrados pela eleição de Recife dificultam uma reaproximação.