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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Negligência do governo levou Brasil à marca de 1 milhão de casos

Marcelo de Moraes

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No dia 16 de abril, o ministro Luiz Henrique Mandetta foi demitido do comando da Saúde, depois da milésima trombada com Jair Bolsonaro por defender o isolamento no combate ao coronavírus. No dia 15 de maio, Nelson Teich, o substituto de Mandetta, pediu demissão por se recusar a assinar uma medida autorizando a adoção da cloroquina no protocolo do tratamento do coronavírus como desejava o presidente.

No dia 19 de junho, hoje, sem ministro oficialmente na cargo, o Brasil ultrapassa a marca de 1 milhão de pessoas contaminadas com o vírus. Tem também mais de 48 mil mortes registradas e um caótico processo em curso de flexibilização da quarentena por todo o País, mesmo com a média de casos e de mortes se mantendo em patamares muito altos (mais de mil mortes registradas a cada dia, por exemplo).

Bolsonaro adotou a linha negacionista desde o primeiro dia em que se teve notícia do coronavírus. Como já se repetiu fartamente, chamou a pior pandemia dos últimos cem anos de “gripezinha”, “fantasia”, “exagero da mídia” e de tantas outras formas para tentar minimizar sua importância. Como o vírus não dá a menor bola para disputas ideológicas ou para guerra de narrativas, 114 dias depois da ocorrência do primeiro caso, ele já foi registrado em 85% dos municípios do País e segue vitimando brasileiros diariamente.

Se no início da pandemia, governadores e prefeitos ainda foram responsáveis pelo esforço de isolar a população da contaminação, hoje, esse movimento se dispersou completamente. Pressionados politicamente, governadores e prefeitos baixaram a guarda e, mesmo com os casos ainda ocorrendo aos montes, flexibilizaram as medidas de isolamento. Poderia ter sido diferente se houvesse uma coordenação nacional liderada pelo governo e pelo ministério. Bolsonaro preferiu deixar o general Eduardo Pazuello no comando interino da Pasta apenas para seguir suas orientações. Agora, essa falta de liderança do governo no processo apresenta sua fatura.

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