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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Marcelo: Novo ministro quer armistício, mas guerra está longe do fim

Marcelo de Moraes

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No seu discurso de posse, o novo ministro das Comunicações, Fábio Faria, deixou clara sua fama de político conciliador. Pediu um “armistício patriótico” e afirmou que “é hora de pacificar o País”. A fala foi feita diante de alguns dos principais integrantes dessa guerra política. Ouviram o discurso Jair Bolsonaro, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Mas, apesar da fala, a perspectiva de pacificação parece distante.

Fabio Faria, novo ministro das Comunicações

Fabio Faria, novo ministro das Comunicações Foto: Luis Macedo/Agência Câmara

Pertinho do Planalto, no mesmo momento em que Faria discursava, o STF seguia com o julgamento sobre a validade do inquérito das fake news, que hoje paira sobre os bolsonaristas. Relator do inquérito, o ministro Alexandre de Moraes mandou também seu recado: “Liberdade de expressão não é liberdade de agressão”.

Disse ainda: “A Constituição não permite que criminosos se escondam sob o manto da liberdade de expressão, utilizando esse direito como verdadeiro escudo protetivo para a prática do discurso do ódio, discurso antidemocrático, ameaças, agressões, para a prática de ações penais e toda sorte de atividades ilícitas”.

Na solenidade de posse, Bolsonaro fez um discurso curto (pouco mais de 5 minutos) e confuso. Mas também mandou seu recado para os outros Poderes. “Não são as instituições que dizem o que o povo deve fazer. É o povo quem diz o que as instituições devem fazer”.

É esse o objeto do confronto. O Supremo tomou providências efetivas contra os ataques e ameaças que vinha sofrendo. Alexandre de Moraes determinou investigações, ações de busca e apreensão, quebras de sigilo e os alvos alcançados são aliados diretos do presidente. Pelo menos 11 parlamentares bolsonaristas já tiveram seus sigilos bancários quebrados para saber se ajudam a financiar a rede de ataques. Extremistas apoiadores do presidente foram presos temporariamente. O ministro da Educação, Abraham Weintraub, também pode ter de deixar o cargo pelos ataques feitos ao STF.

Com tudo isso, a cobrança desse grupo radical sobre Bolsonaro para que reaja só aumenta. E fica difícil enxergar uma pacificação num horizonte próximo. Faria ajuda politicamente ao trazer o discurso conciliador para dentro do governo. Mas a maior dúvida é se essa pregação terá algum efeito.