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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Marcelo: O abre e fecha do teto virou fator de insegurança para o governo

Marcelo de Moraes

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Em menos de 48 horas, Jair Bolsonaro já fez gesto e declarações públicas a favor da manutenção do teto de gastos, a favor de sua flexibilização e, novamente, a favor de sua rigidez. Mesmo com o presidente se irritando com as críticas a esse vai e vem, ele precisa entender que a manutenção ou suspensão dessa medida representa indicativos muito importantes.

O presidente da República, Jair Bolsonaro com o ministro da Economia, Paulo Guedes

O presidente da República, Jair Bolsonaro com o ministro da Economia, Paulo Guedes Foto: Dida Sampaio/Estadão

O primeiro é se o rigor fiscal será preservado, indicando que o governo zela pelas suas contas. O segundo diz respeito ao futuro do ministro da Economia, Paulo Guedes. Se o teto for abandonado, não há dúvidas que ele arrumará suas gavetas e pegará o caminho de casa.

Com o mercado atento às falas e ao comportamento do presidente, o tema acabou virando um fator de insegurança dentro do governo. Há claramente uma ala desenvolvimentista importante e influente na equipe ministerial que deseja mais margem e jogo de cintura para ampliar investimentos e tocar obras e que enxerga o teto de gastos como um limitador.

O problema é que Paulo Guedes tem uma visão diferente e é apoiado por forças políticas importantes que defendem o rigor fiscal como uma âncora para a saúde financeira do governo. E esse cabo de guerra não vai se encerrar enquanto Bolsonaro não fincar o pé solidamente em um dos lados do terreno de seu governo.