Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Do Marcelo: O Centrão deita e rola no governo

Marcelo de Moraes

Exclusivo para assinantes

Em troca da promessa de apoio no Congresso, Jair Bolsonaro entregou hoje o comando do poderoso Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para o Centrão. Para tentar se blindar contra o risco de aprovação de um processo de impeachment, o presidente repassou, oficialmente, a presidência do órgão para Marcelo Lopes da Ponte, que chefiou o gabinete do presidente nacional do PP, o senador Ciro Nogueira (PI). O FNDE tem um orçamento de R$ 55 bilhões.

Deputados do centrão

Deputados do centrão Foto: Dida Sampaio/Estadão

Em queda nas pesquisas e cada vez mais pressionado, Bolsonaro abandonou de vez o discurso usado na campanha de acabar com a velha política. Em troca de apoio, o governo ressuscitou a surrada prática do toma lá, dá cá, abrindo seus braços para acolher o Centrão, tão criticado pelos bolsonaristas quando ainda pediam votos para os eleitores.

Não custa lembrar que o hoje ministro general Augusto Heleno chegou a cantar um samba de Bezerra da Silva, “Reunião de bacana”, durante um encontro do PSL, no qual troca a letra original, substituindo a palavra ladrão por Centrão. “Se gritar pega Centrão, não fica um, meu irmão”, cantarolou, na época, o general, com direito à gravação em vídeo da performance.

O governo já entregou e vai continuar repassando cargos importantes para seus novos aliados, que agora incluem, entre outros, os presidentes do PL, Valdemar Costa Neto, e do PTB, Roberto Jefferson. Ambos cumpriram pena na prisão por condenações envolvendo irregularidades cometidas no escândalo do mensalão.

E, apesar de todo o discurso, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, teve de aceitar abrir mão de um dos principais cargos de sua Pasta para contemplar o Centrão velho de guerra.

Tudo o que sabemos sobre:

Do MarcelocentrãogovernocargosFNDE